Ricos na Argentina? O que está caro e barato para turistas brasileiros (2022)

A desvalorização do peso argentino em relação ao dólar e ao real faz brilhar os olhos dos turistas brasileiros com relação à Argentina. De fato, em algumas ocasiões os brasileiros têm a sensação de estarem 'ricos' no país hermano — quando andam em um metrô por menos de R$ 1 ou pagam R$ 15 em uma garrafa de vinho que, no Brasil, beira os R$ 100.

Porém, os preços em determinados setores queridinhos dos viajantes brasileiros, como o de vestuário, sobem junto com a inflação Argentina — cujo acumulado de dos últimos 12 meses é de 64% — e decepcionam quem chega por lá querendo fazer a festa das compras.

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E não são poucos. Os últimos dados do Ministério do Turismo apontam que os brasileiros representam 22% dos mais de 2,5 milhões de turistas estrangeiros que visitaram o país no primeiro semestre de 2022.

Mas, afinal, o que os brasileiros que estão esta semana em Buenos Aires estão sentindo no bolso? Estamos 'ricos' ou não? Nossa foi às ruas da capital Argentina para descobrir.

Menos de R$ 100 por dia

A paulistana Diva Lopes, de 50 anos, está pela terceira vez na capital argentina. Passeando pela rua Florida, importante centro comercial de Buenos Aires, ela até suspirou na hora de opinar sobre as vantagens econômicas do país: "Muito favorável. Para mim, a Argentina está baratíssima, principalmente hospedagem, alimentação e transporte"

Estou há dez dias aqui e meu gasto diário é, em média, de 5 mil pesos [R$ 92, na cotação que ela conseguiu], contando com hospedagem"

A brasileira, que está viajando com a irmã e uma amiga, disse que trocou a moeda pela rede de transferências internacionais Western Union. Nesta terça-feira (9), a cotação estava em 54 pesos para R$ 1.

O câmbio paralelo além de atrativo está normalizado. O turista consegue transferir os reais do Brasil para o Western Union e sacar diretamente nas lojas da empresa espalhadas pela cidade (veja no final desta reportagem como é feita a transação). Outra forma de acessar o mercado paralelo é com as empresas legalizadas de câmbio que têm parcerias com o setor de turismo receptivo para brasileiros.

Nem tão 'rico'

"Achei hospedagem, comida e transporte baratos. De resto, não muda muito em relação ao Brasil", disse a Nossa a publicitária Susane Trevizan, 32 anos, de Campinas (SP). Ela veio a Buenos Aires esperando uma condição melhor depois de ler que os brasileiros estão ricos na Argentina. "Mas, na realidade, não é bem assim", constatou.

O transporte é muito barato, mas eletrônicos, roupas e passeios são equivalentes ao Brasil" Susane Trevizan

O vestuário é uma das grandes decepções do turista brasileiro que chega a Argentina acreditando que encontrará lãs, couros e camisas de futebol a preços mais acessíveis.

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"Eu sou empresária do ramo do vestuário e posso te garantir que aqui está mais caro do que no Brasil", disse a brasileira Sandra Lopes, de 62 anos, que está pela segunda vez em Buenos Aires a turismo. Apesar disso, a brasileira avalia que a capital portenha tem produtos e serviços mais em conta em relação a São Paulo.

Camisa da seleção: tem, mas acabou

Fábio Araújo estava na rua Florida buscando uma camisa oficial da seleção argentina para dar de presente para o filho, mas se surpreendeu com os preços nas lojas de esporte. "Aqui está até mais caro. Eu vi uma camisa oficial entre 15 e 18 mil pesos, dependendo do tamanho, o que seria até uns R$ 330 pelo câmbio informal. No Brasil está mais barato".

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Na loja da Adidas, no centro de Buenos Aires, a atendente revela que as camisas oficiais da seleção argentina estão em falta, resultado da procura dos consumidores, principalmente turistas. "Os brasileiros e os estrangeiros de outros países levam todo o estoque", brinca a vendedora.

Outro lado

Caminhando pela rua Florida, a reportagem encontrou uma família de Santa Catarina que está de férias em Buenos Aires. Perguntados se achavam que o país estava favorável para os brasileiros, a resposta foi em coro e enfática: "Não".

O grupo, que chegou na Argentina depois de passar pelo Uruguai, reconhece que em relação ao país vizinho Buenos Aires é muito mais barato, mas na comparação com o Brasil os preços não mudam tanto.

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A percepção sobre os números e o poder de compra dos brasileiros se transforma de acordo com alguns quesitos. Turistas que vivem em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, que estão entre as capitais mais caras do país, constatam que em Buenos Aires o dinheiro deles rende. Porém, essa não é uma verdade absoluta a todos os turistas, principalmente os que vivem em regiões mais afastadas dos grandes centros urbanos, como é o caso do aposentado Arivertom Silva, de 61 anos, de Santa Catarina.

Arivertom trocou parte do dinheiro pelo Western Union e parte com os cambistas da rua Florida. "Honestamente, é um exagero dizer que os turistas brasileiros estão ricos na Argentina. Achei os preços bem parecidos, principalmente a alimentação", comparou o aposentado.

A prática de trocar dinheiro com cambistas de rua não é recomendada pois há risco de golpes, como receber notas falsificadas na transação.

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Para amantes de vinho, Argentina é um paraíso

O vinho argentino é um clássico do país. O produto é vendido em qualquer supermercado a preços acessíveis. O Perro Callejero, por exemplo, que foi servido no casamento do ex-presidente Lula, pode ser encontrado em Buenos Aires pelo preço de 750 pesos (R$ 14), tanto na versão Malbec como na versão Cabernet; o mesmo vinho no Brasil é vendido a R$ 94.

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Para a empresária do ramo de turismo receptivo para brasileiros, Cleiguea Furtado, a ideia de que a moeda argentina vale menos é atraente, mas é preciso ter parcimônia, visto que "nada aqui sai menos que 1000 pesos, então acaba que, mesmo com a cotação alta do real, o custo também é alto, então nem sempre é proporcional", diz.

Na ponta do lápis

Em números, o metrô em Buenos Aires custa 30 pesos, equivalente a R$ 0,55. O táxi também é relativamente barato: a corrida durante o dia começa com R$ 3,40 e, como as distâncias entre os pontos turísticos da cidade são pequenas, o viajante consegue aproveitar sem precisar percorrer grandes percursos.

Para quem deseja agendar um transfer do aeroporto Ezeiza até o hotel, uma corrida de aproximadamente 35 quilômetros sai em média 3.500 pesos (R$ 65).

Quem gosta de turismo gastronômico também encontra variedade de cafeterias e churrascarias. Um café expresso custa, em média, 300 pesos (R$ 5,5); já um café da manhã clássico portenho, com café e mais duas medialunas sai, em média, 500 pesos (R$ 9). As churrascarias têm valores variáveis, dependendo da localização e do apelo turístico, variando de 2 mil (R$ 37) a 8 mil pesos (R$ 148) um corte de carne que serve até duas pessoas.

Dólar turístico

Na batalha por conseguir divisas, o governo argentino anunciou no final de julho que avalia criar o dólar turístico para que os turistas estrangeiros possam trocar o dinheiro na cotação do dólar financeiro.

A cotação turística estaria próxima ao dólar informal, um valor atraente e, ao mesmo tempo, seguro, visto que a pessoa, segundo o governo, trocaria o dinheiro "em um único mercado".

No entanto, com as recentes mudanças no Ministério da Economia, o tema está em suspenso. O novo ministro, Sergio Massa, que assumiu oficialmente no último dia 3 de agosto, não apresentou nenhum plano específico para o turismo internacional, mostrando que o setor não está em seu radar de prioridades.

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Cartão de crédito na carteira

Muitos brasileiros têm dúvidas sobre o câmbio informal e se sentem inseguros em trocar o dinheiro com cambistas, por isso, em algumas situações, acabam usando o cartão de crédito, o que não é o melhor negócio. A cobrança se dá com a cotação do dólar formal, tornando os produtos e os serviços 50% mais caros.

Essa é a lição que a jornalista Juliana Sangion aprendeu. De visita a Argentina em julho, ela usou o cartão de crédito em uma vinícola em Mendoza, na cordilheira dos Andes. "Foi um grande erro. A experiência valeria R$ 85 no câmbio informal, mas com o cartão de crédito eu paguei R$ 200 por um salmão grelhado com um purê de brócolis e uma taça de vinho".

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Trocando reais

Bancos e empresas como a Western Union fazem legalmente o serviço de câmbio paralelo do real para o peso argentino. O valor de R$ 1 nesta semana era equivalente a 54 pesos argentinos. Ou seja, mais que o dobro da cotação oficial do país.

Segundo informou UOL Economia, no caso da Western Union, o câmbio utilizado é o chamado blue chip swap, que é o destinado a transações correntes na Argentina — ou seja, reflete um valor real da moeda americana, no dia da definição da troca, e não um número fixado pelo governo, como ocorre no caso do câmbio oficial.

Você pode fazer a troca cambial com pix, enviando reais para a Western Union e sacando em pesos em uma das lojas da empresa na Argentina. As taxas cobradas são: 3% do valor da transação e 1% de imposto federal.

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Author: Terrell Hackett

Last Updated: 12/07/2022

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